Como se fazia o Pão

Como se fazia o pão – Setembro 2009

Os objectos presentes nesta exposição COMO SE FAZIA O PÃO pretendem recordar a maneira como os nossos pais e avós preparavam o seu pão de cada dia, nas suas mais variadas e cansativas etapas. Vamos recordar 3 desses utensílios: o arado, o trilho e o alguidar.

Com o arado, um instrumento pleno de elegância de formas, imaginamos o modo suave como penetrava a terra e a abria ao céu preparando-a para receber as sementes.

O arado é o instrumento que melhor representa o grande salto da Humanidade. Da civilização completamente nómada passou-se para a civilização, onde a Humanidade, através da ligação à terra, que o arado e a força dos animais domesticados proporcionaram, conseguiu produzir os alimentos que permitiram o crescimento das populações e o desenvolvimento do mundo, com as qualidades e defeitos que hoje lhe conhecemos.

Hoje o arado permanece como símbolo de uma ligação sustentável do Homem à Terra, como símbolo de uma agricultura pacífica, como símbolo do pão partilhado.

Após a sementeira e a apanha dos cereais, estes eram transportados para as eiras para serem debulhados.

O trilho era um instrumento muito utilizado para debulhar os cereais, nomeadamente o trigo, a cevada, o centeio, a aveia e também as leguminosas como as favas e o grão. Espalhava-se o material a debulhar na eira através dum forcado ou duma forquilha e o trabalho do trilho consistia em separar o grão da espiga e cortar a palha.

O trilho é composto por três rolos munidos de dentes de madeira que giram sob um estrado também de madeira onde se sentava a pessoa que conduzia o gado.

Brincavam muito na eira as crianças sentadas no trilho puxado às vezes pelos bois, outras vezes pelos burros. Era uma festa para as crianças a debulha dos cereais.

Muitos de nós ainda andaram de trilho e trabalharam nas eiras nestas tarefas agrícolas.

Recordar este instrumento utilizada durante séculos e séculos é reviver os tempos dos nossos antepassados, é recordar um modo de vida que faz parte da nossa história cultural, história que os mais novos não devem esquecer.

Após a transformação do cereal em farinha, toda a gente amassava no seu próprio alguidar e cozia o seu próprio pão. Entretanto o plástico destronou os instrumentos cerâmicos usados um pouco por todo o lado em especial na cozinha. O alguidar foi um desses objectos postos de lado, mas outrora tão presente na vida quotidiana de qualquer casa. No alguidar lavava-se a roupa, preparavam-se barrelas, tingia-se roupa, lavavam-se as pessoas. O alguidar servia para amassar e guardar a massa até se meter o pão no forno. O alguidar servia para lavar os legumes e as saladas. A alguidar estava presente em todas as fases da matança do porco, desde o recolher do sangue, ao acondicionar das visceras, à preparação da carne para encher os chouriços. Por servirem em inúmeras utilizações, os alguidares quebravam-se muito. Mesmo quebrados não eram deitados para o lixo. Eram arranjados com os chamados “gatos”, que mais não eram que pedaços de metal que uniam os cacos.

19 e 20 de Setembro de 2009

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